Câmeras escondidas em Tepequém flagram veado, irara e até anta tomando banho com filhote em área de preservação do Sesc

Imagens inéditas foram registradas por equipamentos instalados em uma reserva ambiental do Sesc Roraima e revelam a vida selvagem que se esconde na Serra do Tepequém. Confira os flagrantes.

Uma anta aproveitando um banho acompanhada de seu filhote, veados passeando pela floresta e iraras circulando livremente pela mata. Essas são algumas das cenas registradas por câmeras escondidas na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Sesc Tepequém, localizada no município de Amajari, Norte de Roraima. Os flagrantes, que parecem ter saído de um documentário sobre a vida selvagem, mostram um lado da Serra do Tepequém que poucos têm a oportunidade de conhecer.

As imagens foram captadas durante a fase inicial do Programa de Monitoramento de Fauna do Sesc Roraima, que utiliza câmeras especiais para acompanhar os animais que vivem na área de preservação. E os resultados não demoraram a aparecer: em apenas uma semana, os equipamentos já haviam registrado diferentes espécies em seu habitat natural.

Entre os visitantes flagrados pelas lentes estão antas, iraras, cutias, catitus, veados-mateiros, tamanduás e jacamins, além de outros animais que circulam pela vegetação preservada da reserva. 

Os registros oferecem um passeio pelos bastidores da floresta, onde a natureza segue sua rotina mesmo quando ninguém está olhando. Assista aos vídeos abaixo:

Natureza, lazer, biodiversidade e conforto. A combinação destes elementos representa a experiência na Estância Ecológica Sesc Tepequém, atualmente um dos maiores polos turísticos do estado.

Situada em uma região privilegiada com cachoeiras e biodiversidade incomparável, integra uma reserva ecológica certificada como Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN).

Câmeras revelam os segredos da floresta

Para conseguir essas imagens, o Sesc instalou cinco câmeras do tipo camera trap, também conhecidas como armadilhas fotográficas, em pontos estratégicos da reserva. Os equipamentos são acionados automaticamente por sensores de movimento e calor, permitindo registrar a passagem dos animais sem a necessidade da presença humana.

A escolha dos locais não foi por acaso. Pegadas, trilhas naturais, fontes de alimento e pontos de acesso à água ajudaram a equipe a identificar os caminhos mais utilizados pela fauna.

Segundo a bióloga e analista técnica de Educação Ambiental do Sesc Roraima, Jadna Alves, a iniciativa surgiu da necessidade de conhecer melhor a biodiversidade existente na área e ampliar as possibilidades de conservação e pesquisa científica.

“O principal objetivo é conhecer os animais que circulam nessa área preservada e entender como podemos trabalhar na conservação da fauna. Existe um ditado que diz que precisamos conhecer para conservar, e é justamente esse o sentido do nosso trabalho”, explica.

As câmeras permanecem discretamente instaladas na mata, registrando cenas que dificilmente seriam presenciadas durante uma caminhada. Durante a noite, os equipamentos também continuam funcionando, produzindo imagens em preto e branco que ajudam a revelar os hábitos de espécies de atividade noturna.

Uma reserva de vida

O cenário dessas descobertas é a RPPN Sesc Tepequém, uma área de aproximadamente 54,6 hectares de floresta nativa protegida pelo Sesc Roraima desde 2001. Localizada na Serra do Tepequém, a reserva conserva uma importante parcela da biodiversidade amazônica e desenvolve ações voltadas à preservação ambiental.

Embora a região seja conhecida por suas cachoeiras, paisagens e atrativos turísticos, a reserva revela outras riquezas do Tepequém, como a diversidade de animais silvestres que encontram abrigo em sua vegetação.

A presença de espécies como a anta e a irara é especialmente relevante para o monitoramento ambiental, já que esses animais podem contribuir para a avaliação das condições de conservação da floresta. 

A anta, por exemplo, desempenha um papel fundamental na dispersão de sementes, ajudando na regeneração da vegetação.

Com os novos registros, o Sesc pretende organizar um banco de dados sobre as espécies identificadas, os horários de atividade e os espaços que costumam frequentar. Essas informações poderão subsidiar pesquisas científicas, ações de educação ambiental e novas estratégias de conservação.

A iniciativa também busca despertar o interesse de universidades e pesquisadores para o desenvolvimento de estudos na reserva, ampliando o conhecimento sobre a fauna da Serra do Tepequém.

A emoção de descobrir quem passou pela mata

Para quem acompanha o monitoramento, cada nova imagem é motivo de expectativa. Jadna conta que analisar os registros das câmeras se tornou um dos momentos mais especiais do trabalho.

“Eu fico feliz demais toda vez que vejo as imagens. Fico horas assistindo e torcendo para aparecer algum animalzinho. É muito emocionante imaginar quanta vida existe ao nosso redor e que, muitas vezes, passa despercebida pela gente”, relata.

A analista destaca que os flagrantes também ajudam a aproximar as pessoas da natureza. Afinal, os mesmos caminhos percorridos durante as atividades ambientais do Sesc são utilizados diariamente por animais que raramente aparecem diante dos visitantes.

A proposta é que, futuramente, os registros também sejam utilizados em materiais educativos e apresentados aos hóspedes e visitantes da Estância Ecológica Sesc Tepequém, permitindo que mais pessoas conheçam a biodiversidade protegida pela instituição.