FEIRA DE CIÊNCIAS

Corujas

Mitos, supertições e lendas sobre corujas no Brasil

“Murcututu lá na beira do telhado, Leva esse menino que não quer dormir sossegado”. Nina uma criança com uma canção tão “singela”, para não dizer macabra… Enfim, dorme com um barulho desses!

Nas cidades interioranas do Brasil e no meio rural ainda se cultivam histórias e lendas sobre corujas, que são contadas através das gerações. Muitas vezes são histórias de mau agouro associadas à sua voz, como a má sorte ao se ouvir uma coruja ou algum coitado que partiu desta vida após ter uma coruja “piando” em sua janela. Enfim, as corujas estão relacionadas ao medo e ao terror, em parte por habitar torres de igrejas, cemitérios, casas abandonadas e outros lugares “sinistros”… Para gente medrosa, preconceituosa, ignorante ou mística, seus grandes olhos, sua voz com entonações consideradas amedrontadoras fazem com que tal gente a associe até às risadas das “bruxas”. Eita…

Mas qual seria a origem de tais asssociações? A maioria das crenças que demonizam as corujas são de origem europeia e foram disseminadas desde os primórdios da colonização de nosso país. Percebe-se, no entanto, que mesmo hoje, no cinema, nos livros e programas de televisão as corujas tem associação com histórias malignas, incluindo a bruxaria.

Não pára aí. Em certas áreas do Brasil acredita-se que as corujas anunciam a morte quando voam sobre a casa da pessoa doente ou pousam em seu telhado , acreditando que a morte do enfermo se aproxima. O acauã (Herpetotheres cachinnans) tem uma vocalização de tom grave, atingindo seu canto, grande distancias. É interpretado como sinal de morte eminente. 

Mesmo sina tem a suindara (Tyto Alba). Seu canto é um anuncio de morte, segundo populações ribeirinhas do norte do Brasil.

Muitos chegam a crer que essas aves são pessoas que morreram e reencarnaram na forma de corujas para  pagar seus  pecados,  vagando pela noite solitária, sendo o caso da murucututu (Pulsatrix perspicillata).

Já na Amazônia há uma a lenda de que a coruja murucututu adivinha a morte com seu piar. Já as suindaras gostam de azeite, por que visitam igrejas durante a noite onde, no passado, lamparinas brilhavam consumindo esse óleo.

Excepcionalmente, no nordeste, as penas da caburé (Glaucidium brasilianum) trazem sorte, embora não para a coruja. Fácil de imaginar seu destino… E no Rio Grande do Sul? Comer carne de coruja dá “superpoderes de adivinhação”! Coitadas… A lenda diz que, a ave, anunciadora da morte, devia então saber muito. Logo, quem come sua carne adivinha qualquer coisa…

 

Crenças benéficas as corujas costumam ser de origem indígena, pois, vistas como criaturas portadoras do conhecimento, são seres sagrados que possuem a função de conduzir as almas dos falecidos até outro plano. Os Guaranis, por exemplo, acreditavam que o “grande espírito” manifestou-se na forma do colibri e da coruja, para criar a sabedoria.

Zoologicamente, as corujas são aves de rapina que pertencem a ordem Stringiforme. No estado do Rio de Janeiro, as principais espécies encontradas são, entre outras: Tyto Alba (suindara), Otus choliba (corujinha-do-mato), Athene cunicularia (coruja-buraqueira) e Glaucidium brasilianum (caburé).  Existe uma grande variedade de presas que as corujas consomem, como roedores, inclusive em áreas urbanas. Portanto, atuam no controle populacional desses animais, transmissores de diversas zoonoses.

 

Crendices e lendas populares podem culminar no desrespeito às leis de proteção da fauna, como a perseguição e o abate de animais silvestres. A educação ambiental é, sem dúvida, uma das principais ferramentas para o esclarecimento e a sensibilização da sociedade como um todo. Para o correto exercício da cidadania é preciso uma educação de qualidade.em todos os niveis e em todos os recantos do país.

 

IMAGENS QUE EU TIREI {endereço} Bairro: Silvio Leite – Rua: Casemiro José da Silva

 

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